Doze tarefas que poderão substituir o conceito de profissão: novos trabalhos, novas habilidades!


Por Júlia Ramalho
Paixão por ajudar a transformar pessoas e organizações na sua melhor versão.

Se você é assíduo por aqui e leu os posts anteriores, já sabe que o trabalho, como o conhecemos hoje (inclusive a sua profissão!), está mudando e pode deixar de existir em um futuro bem próximo. Se você ainda não leu os textos anteriores, te convido a fazer isso! Acredito que eles te ajudarão a refletir e a tomar uma atitude em sua carreira. No post “Qual será o futuro do emprego? Novos trabalhos, novas habilidades!”, por exemplo, falei sobre o estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) que concluiu que muitas profissões vão deixar de existir, enquanto outras surgirão devido à tecnologia. Na verdade, já estamos vendo isso, não é mesmo? O grande destaque do estudo, no entanto, é a necessidade de novas habilidades para as novas profissões.

Mas hoje nossa reflexão será um pouco diferente: vamos refletir sobre a ideia de um mundo onde as profissões terão outro formato. Richard e Daniel Susskind, pai e filho, ambos professores na Universidade Oxford e autores do livro The Future of the Professions, acreditam que muitas profissões deixarão de existir e que isso provocará uma mudança nas carreiras. Eles identificam duas possibilidades para este futuro: na primeira, as profissões incorporarão as tecnologias para melhorarem e simplificarem o trabalho, e na segunda a tecnologia poderá substituir as profissões tradicionais.

Esses dois cenários, conforme os pesquisadores, se desenvolverão paralelamente, mas em longo prazo o segundo será o dominante. Ou seja: em médio prazo, várias profissões vão deixar de existir e outras surgirão. Essas novas profissões exigirão que os homens adquiram novas habilidades para que possam executar suas tarefas. E assim, em um futuro mais distante, não vamos mais identificar profissões como, por exemplo, as de advogados, médicos e professores.

O entendimento dos autores é que a ideia de tarefa ganhará espaço nesse cenário: cada vez mais ofertaremos tarefas e não atuaremos como executores de uma profissão em sua totalidade! Por isso alguns autores chegam a falar que estamos caminhando para o “taylorismo digital”, já que a fragmentação do trabalho que ocorreu no processo da revolução industrial poderá agora atingir com as profissões técnicas. É possível que, por um lado, essa mudança contribua com a formação de um ambiente mais eficiente, no qual os profissionais farão mais em menos tempo. Mas, por outro lado... o que acarretará para nossa subjetividade a fragmentação das profissões?

De acordo com pai e filho, a profissão existe devido à incapacidade que tem o homem de saber tudo. Ou seja, o conceito de profissão foi desenvolvido para que cada indivíduo pudesse colocar em prática o conhecimento adquirido em certas áreas. À medida que cada área profissional tornou-se mais complexa, ela também se fragmentou. Veja o médico, por exemplo. Quantas especialidades médicas, com campos de saber específicos e complexos, existem hoje?


Para Richard e Daniel Susskind precisamos
correr com as máquinas ao invés de lutarmos contra elas


Os pesquisadores apontam, assim, que existirão doze tarefas capazes de mudar como exercemos a profissão. Isto é, cada vez mais as profissões tenderão a ser fragmentadas em torno dessas tarefas:

  1. Artesãos - haverá experts que não poderão entregar seu trabalho de outra forma. Eles continuarão a entregar valor das suas atividades, neste sentido, continuarão exercendo sua profissão. Um exemplo, talvez seja o psicanalista. O que cada analista faz não pode ser replicado ou simulado por para-profissionais de forma colaborativa, por outros profissionais ou mesmo por leigos. A cada analista temos um processo de análise.
  2. Assistentes - os artesãos precisarão de assistentes. Esses serão pessoas com formação, mas que não são experts. Eles ajudarão a determinar demandas de trabalhos para os artesãos. Esse trabalho, entretanto, será cada vez menos necessário. Algumas atividades são tão raras que não será viável sistematizá-las e nem necessidade suficiente para estar online. Por exemplo, um assistente de recrutamento e seleção, que faz triagem de curriculum para um psicólogo que faz entrevistas. A medida em que sistemas de inteligência artificial podem selecionar os perfis, será que precisaremos de alguém para fazer a triagem dos currículos?
  3. Para-profissionais - eles terão apoio e liderança de especialistas, pessoas que estão chegando numa profissão, são aqueles que irão operar como aprendizes para se tornarem artesãos. Enquanto aprendem apoiam o artesão.
  4. Empatizantes – serão os que ouvem e simpatizam com quem atendem, uma atividade pertinente a várias profissões. Será como uma área de atendimento. Embora a máquina possa chegar a fazer essa tarefa, isso vai demorar para acontecer.
  5. Engenheiros de conhecimento - serão especialistas em desenho de serviços online, focados no genérico e não no particular. Precisarão desenvolver habilidades de análise em áreas de expertise. Pesquisarão tanto em livros como elucidarão as cabeças dos especialistas. Esses técnicos terão conhecimento em sistemas online ajudarão pessoas leigas ou para-profissionais a usar o sistema. Como exemplo, ajudarão um enfermeiro que poderá usar o sistema Watson para diagnóstico de doenças. Ele não é o expert, mas poderá operar melhor embasado de conhecimento que estará no sistema.
  6. Pesquisa e desenvolvimento - para manter a área de especialistas de conhecimento funcionando, será preciso que esses profissionais desenvolvam novas capacidades, técnicas e tecnologias para entregar serviços.
  7. Analistas de processos - subdividir os trabalhos e identificar formas apropriadas para lidar com essas partes vai exigir o conhecimento desse especialista. Ele ajudará a compilar procedimentos e processos que servirão de apoio aos para-profissionais. Os conteúdos serão um mix de conhecimento e know-how, de expertise e experiência que incluirá o flowchart, checklist e árvores de decisão a serem aplicadas pelos para-profissionais.
  8. Moderadores - atuarão nas comunidades de conhecimento, nas quais é comum que ocorra um esquecimento do controle de qualidade em função de haver muito conteúdo. Nessas comunidades, será exigido moderadores individuais (com experiência prática e pegada técnica) atuando de forma sistemática e estruturada. Os usuários poderão contar com o sistema ao invés de contar com o profissional.
  9. Designers - cada vez mais os serviços online serão intuitivos, simples de usar e desenhados para usuários de variados níveis de conhecimento. Os designers serão experts em prover soluções online para conceber e desenhar os sistemas, evitando e solucionando os problemas.
  10. Provedores de sistemas - serão pessoas que entregarão o serviço online. Eles não serão experts em conteúdo, em conhecimento de engenharia ou design, mas indivíduos com intenções criativas para gerar negócios.
  11. Cientistas de data - serão mestres em técnicas e ferramentas requeridas para capturar e analisar um grande conjunto de informação com a intenção de identificar correlações, tendências e ter insights. Como em vários dos novos papéis, há uma interdisciplinaridade de background: experiência e conhecimento de várias tecnologias, bem como das disciplinas profissionais envolvidas.
  12. Engenheiros de sistemas - irão desenvolver máquinas que gerarão, elas mesmas, expertise prática. Aqui há o mais avançado da sistematização: são pessoas programando máquinas para resolverem problemas de máquinas que resolvem problemas humanos.

Depois desta análise, Richard e Daniel concluem que as profissões de hoje tendem a se tornarem, a cada dia, mais ineficientes. Apesar de a tecnologia não poder resolver essa questão, ela surge como uma forma de contribuir para a mudança e o aprimoramento da profissão e do profissional.

Será que você estará preparado para continuar atuando em sua área quando “este futuro chegar”? Para te ajudar a responder a essa pergunta, proponho uma reflexão através de outros questionamentos:

  • Seu perfil te permite se comunicar de modo diferente, trabalhar com dados e máquinas?
  • Como você pode aprofundar seus conhecimentos em tecnologias e inovar na oferta de soluções online?
  • Seu perfil te permite diversificar e ser flexível? Como?
  • É possível expandir suas áreas de conhecimento e tangenciar outras áreas, com relação às quais você já tem expertise?

Essas questões ajudam a refletir e a pensar em novas habilidades, para além de nossa profissão como a conhecemos. É hora de identificar onde está nossa expertise, e como podemos nos diferenciarmos e inovarmos. Hora de nos movermos. Vamos lá?


Júlia Ramalho reside em Belo Horizonte (Brasil) e ajuda pessoas e organizações a revelarem o seu melhor, ao clarear propósitos, ver possibilidades diante das incertezas e manter foco nas ações necessárias. Faz isso há mais de 18 anos por meio de atendimentos em coaching e clínicos. Possui formação como psicóloga, coach e administradora, sendo também mestra nessa última área. Desde 2005 vem investigando as novas tecnologias e seus impactos sobre o trabalho e as futuras gerações. Como gestora, dirige a Estação do Saber [www.estacaodosaber.com] e foi presidente fundadora da International Coach Federation – Chapter Minas. Coordenou projetos de discussão sobre as novas tecnologias (ETC_BH -2009 a 2013) e de transformação da nossa cultura e sociedade (Estação Pátio Savassi – 2005 a 2013). Atualmente se dedica à construção de uma metodologia de orientação de carreiras através de conhecimentos de coaching, design thinking e análise de forças tecnológicas como inteligência artificial, internet das coisas e realidade virtual, dentre outras. Coordena e participa do grupo designers do futuro, que tem por objetivo promover discussões sobre o impacto dessas tecnologias em carreiras, gestão e sociedade.

Comentários

  1. Coitada da literatura! Acho que não vai ter lugar pra ela...kkkk.... E como ficariam os profissionais de arte dramática? O teatro precisa de gente, acho que máquinas não conseguem substituir pessoas nele. Ele também vai sumir? Falando sério, gostaria de saber como você - e os Susskind- vêem não só o teatro, mas as diversas formas de lazer e arte, já que estas vivem do fazer humano. Bj.

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  2. Oi, acho que a literatura e a arte entram na ideia de Artesãos, um trabalho complexo que não pode ser fragmentado e automatizado. Já existem pessoas criando situações para que as máquinas pintem, componham música e escrevam. Mas penso ser difícil que essa seja uma área de expertise delas, faltará as emoções, o corpo que sente e que ressoa na arte, não é mesmo? Penso que nós humanos iremos valorizar cada vez mais aquilo que as máquinas não serão capazes de fazer.

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